A Globo fez isto no passado, quando o Jô Soares comentava uma ou outra notícia do dia. A Veja fazia isto com o Millor Fernandes, a Folha faz isto com o José Simão.
Vou relatar o que aconteceu com uma notícia, e comigo.
Como professor da USP, descobri que nossos Ministros e Secretários da Fazenda, durante o governo militar, haviam assinado dívidas externas com juros indeterminados.
"Pagaremos a taxa vigente do mercado, qualquer que ela venha a ser".
Algo totalmente inconstitucional, porque despesas requerem aprovação prévia e certeza do que se vai pagar.
Criei um plano razoavelmente simples, onde substituiríamos estes contratos, na minha visão inconstitucionais, por contratos com juros pré determinados e fixos pela duração do contrato, algo em torno de 3 a 4% ao ano, e juros reais, não nominais.
A Towers e Perrin, empresa que cuidava de fundos de pensão norte americanos, adorou a ideia, e se propôs a nos ajudar a colocar estes títulos entre seus 20.000 clientes.
Em vez de pagarmos os 9% de Libor da época, iríamos pagar juros de 3%, uma bela economia de fluxo de caixa.
Foi quando a Globo me entrevistou, e saí no Jornal das 10, triunfo para mais de 4 anos de trabalho pensando no futuro do país.
Consegui a divulgação que nós professores acadêmicos tanto precisamos para divulgar as nossas ideias.
Mai aí entrou Jô Soares, testando Jornalismo e Humor, e simplesmente ridicularizou a ideia.
Achou um absurdo uma empresa americana sair de porta em porta vendendo títulos brasileiros. "Quem iria comprar de porta em porta? "
Jô Soares destruiu a ideia no ato.
Virei chacota.
"Ah é você que quer vender títulos de porta em porta?"
De porta em porta de enormes fundos de pensão é muito mais fácil do que Jô Soares imaginava.
Diante 25 milhões de telespectadores, uma ideia que acabou sendo adotada em outros países, foi morta para não se perder a piada. Jornalismo e Humor. hehehe.
Parabéns Jô.
Minha segunda experiência com Jô Soares foi pior ainda. Nunca dê uma segunda chance a ninguém!
Ele me entrevistou pelo livro " O BRASIL QUE DÁ CERTO", onde previ que a inflação teria sido eliminada para sempre pelo Plano Real, quando o PT e mais 200 economistas achavam que era um truque eleitoral.
Jô Soares simplesmente me destruiu na entrevista, não parava de falar, só quis mostrar que a inflação poderia voltar, que a situação não era nada daquilo, e terminou me perguntando em quem eu iria votar, Lula ou FHC?
A pergunta que iria me desmascarar!
Falei que isto não era uma pergunta ética para um profissional como ele, porque no Brasil o voto é secreto.
Anos mais tarde Jô Soares se desculpou em público, confessou para os seus telespectadores que eu não estava fazendo propaganda para o PSDB como ele supunha.
Neste aspecto devo dar os parabéns ao Jô, mas o dano já estava feito, e nunca o telespectador, muito menos eu, o irá perdoar.
Jornalismo de Deboche às custas de quem luta para melhorar o país mostrando soluções e caminhos, simplesmente arrasa os poucos que querem melhorar o país.
Jô Soares em vez de incentivar, conseguiu me desanimar, além de me ridicularizar na frente de 25 milhões de telespectadores.
Todos riram, menos eu.
Razão deste #trol.